quarta-feira, 18 de setembro de 2013

nao é que escrevo mal assim 
simplesmente deposito as palavras que me seguem por aqui vez por outra 
mas so aquelas que nao prestam muito 
as demais guardo para mim e para quem de mim se aproxima

passo a andar pelas ruas e seguir cores vibrantes. nesse dia em particular cheve uma chuva fina que quase sempre molha o rosto dos mais cuidadosos diante da ameaca da chuva que se acerca resolvo sair de casa como estou camiseta io :> stromboli, aquela do coracao vazado, e short jeans, tenis baixo e guarda chuvas o cabelo como de costume puxado para o alto alonga a cabeca que prentende se enconder incorporo uma turista cabelos despenteados bolsa saco pinheiros sp e um andar um pouco sem saber almoco arroz e feijao e sou encontrada por baloes bexigas de gas helio de cores vibrantes anates mesmo no restaurante havia visto uma saia rosa choque e laranja citrico cambarolando por ali sigo em direcao aos baloes e uma moca jovem plena de maquiagem vem ao meu encontro olho para baixo coberta pelo guarda chuvas de bolinhas verde e ela me alcanca e sorri fique com este cupom que pode ser trocado por um batom eu pego o cupom olho seu rosto sorri sorrio penso na minha desprestensiosa fantasia de gringa do dia nao funcionou penso no rosto maquiado da menina linda em sua juventude e pergunto pode ser batom vermelho um pouco encabulada sorri e diz que sim me da um beijo na bochecha e volta para os seus que estao proximos a bexiga saio caminhando e pensando como gostaria de ter um batom vermelho e mais que isso que o batom vermelho caisse bem em meu rosto solitario cansado preocupado e sonhador que coleciona rugas das mais diversas paisagens por onde passou e cuja ruga mais profunda é recente foi colecionada ha pouco menos de um ano dentre as arvores e as enxurradas de pensamentos e desejos o corpo pintado completamente pelo batom vermelho da menina se enrubesce ainda mais em devaneio e delicia diante de seu sorriso pronto de batom rosa 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

9/set em memoria a um outro dia q passou


se arrependimento matasse 
a gente saia no choro pelas ruas
catava as migalhas deixadas pelo chao
arrastava o tempo a forca no sentido invertido
colava chiclete na cara de quem nao quisesse
esfregava os olhos de tanta dor
tirava a dor do peito num tapa
saia dando cambalhotas para ver se passa
mas arrependimento na mata
ele so fica ai latejando ate que a gente esqueca 
e se arrependa mais uma vez


prefiro ver o mar
que ter seu corpo sobre o meu
prefiro ver o mar
que nao me faz lagrimar
e se o faz faz por gosto
gosto de sal e nao de amargo
como o que agora em minha boca se faz
ao lembrar nao o mar 
mas de seu corpo sobre o meu


a imagem do amor tem as maos abertas
nao agarradas 
nao suadas
sao maos tenras que envolvem um mundo
nao so o corpo
nao so a boca
nao so os sonhos
a mao aberta porem de tao boa
deixa que escorreguemos vez por outra
que façamos de nossas maos agarradas
suadas junto a outras maos
estão nao sao de amor 
se abrem e fecham vez por outra
e mais uma vez retorno em lagrimas
para a aberta mao que me estendes
esperando que seja a ultima das vezes que retorno


se tenho uma
como querer outra?
num corpo cabe apenas uma
mas muitas me rodeiam
dao piruetas pululam
saltitam ao redor de meus olhos
e assim numa noite sem estrelas
na alcova me tranco e esqueço todas as poesias
daquela uma que tanto prezo
e espero de seus olhos
assisto suas falas seus passos
e me dou conta por fim
que e um outro corpo nu que a mim mesma 
assim meio fora de mim mesmo
deseja sofre compartilha e chora
e esse um hoje se faz mais macio tenro e doce 
que jamais fora
retoma sua face de outrora 
que tanto borramos juntos
quer seja de feiura mas de novo de saliva
e que agora num borrar de borracha
tento reescrever mais uma vez


os olhos brilham 
mas desta vez nao belos
tímidos vergonhosos
vermelhos e apertados
a imagem presa nos olhos
duma noite que passou
e que desvia os passos
maltrata a face
mas  ainda assim mantém o olhar firme
no mesmo horizonte salgado
mais uma vez


estamos com dificuldades de encontrar a alegria. alegria mesma de dia a dia . de acordar com o riso no rosto. de chorar com um raio de sol. de agradecer pelas coisas que temos. agradecer por termos um ao outro . para disto podermos tirar toda a alegria que nos for possível. a vida é nada mais que uma seqüência de dias. de idas e de vindas. e que estes sejam, senão felizes, alegres. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

esse texto escrevo ha dias, mais que semana. convive na tela do computador, assim mesmo como um postit amarelo fino e longo pregado diante de meus olhos e que interrompe sem pedir licenca. nasce de uma interrupcao, se e que me entende:

***

estou em suspenso. um araki virtual veio aqui e me pendurou no teto pelas pernas e bracos. nao e completamente desconfortavel. ate gosto de um desconforto pq me sinto obrigada a tomar uma atitude mais definitiva. enfim, to pendurada pelas maos que nao sao minhas. pensando em como me movimentar a partir dessa posicao. da, mas tem que tomar cuidado pra nao bater com a cara na parede ao lado, mas descer fluidamente, como dum tecido, suave e risonho. 

 estou pendurada no teto, entre alguns leoes. eles rodeiam minha cabe'ca. duvida insoluvel.


o corpo preso ao teto, quase que como deitado na cama, aconchegado na posicao flutuante que mira o chao despenca. 
hoje a ferida ainda esta aberta. como se andasse pelas ruas com ferida exposta, zebra de barney com couro arrancado. caminho, solto pos respingos, e os olhares doloridos vezes cicatrizam vezes limpam a ferida.

a cicatriz ainda doi mole e dura. ja consigo olhar-me ao espelho e as manchas defronte aos olhos se dissipam um pouco. a leveza carrega consigo um punhado de terra que pretende depositar em uma nova paisagem. a terra 'e fertil e poderosa, mas perigosamente num vacilo pode ser derramada aos ares, pois, materia de sonho, 'e capaz de esvair-se como po, pelo ar. por isso as maos em conchas doem ao lembrar de coisas belas assim como ao deseja-las. coisas belas doem fundo, duma dor deliciosa, morbida, carne ensanguentada que os cantos felizes das bocas famintas deixam entrever.
 os pes aos poucos tateiam o chao. nao se sabe se tem forca o suficiente para manter o corpo que pesa toneladas. dedos de pes vao e vem tentando compreender que pisada e essa que vai dar estabilidade ao corpo-balao. imagem de um alfinete de cabeca se mistura a esses devaneios. estamos fazendo novas vidas.
uma vida 'e peca unica do acervo da artista que vive.
se o corpo 'e uno merece ser afagado como gatinho. como afagar plastico? como beijar um tubo? boneca boneco..

OUTRAS COISAS CHAMAM A ATENCAO DO OLHAR DEPOSITADO POR TEMPOS NO BREU. abaixo do chao de vidro em que desfalece o corpo da boneca, o fundo do mar. visisbilidade media, cor azul aul profundo, os bracos e pernas passam, cardumes pequeninos passar. o terror do afogamento vem e vai. mar caudaloso, gordo, cheio de potencia. as ondas sao baixas mas cheias, levam o corpo indefeso da boneca pra la e pra ca. prazer e horror. todo o corpo molhado corresponde ao que a imaginacao conta. nada mais veloz para sentir seus bracos de boneca. e sente. pernas abanam e se esbarram vez por outra. calafrio. o horizonte e laranja, um poste de luz gigante e visto ao longe, e ageis corpinhos de miniaturas surfam as pequenas ondas sob o corpinho estendido da boneca. ela deseja chegar ate eles, comunicar-se, proteger-se, mas esta so. e contanta-se com a caudalosidade aterradora e aterrorizante das aguas infindas que embalam seu pensar como colo de mae. deseja pertencer a este espaco, mas nao, tudo o que tem sao olhos vidrados num chao tambem este de vidro, fragil, que sugere e ameaca sua quebra constantemente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

lua


Em conversa informal com um amigo sobre a vida, o futuro, me pergunta: voce acha que vc vai pra lua. 

Digo que nao, surpreendentemente, e de primeira. 

Analiso minha resposta e acrescento que nao sou assim tao conectada a lua mas ao mar. 

Ai ele me diz: mas o mar eu já fui. 

E eu respondo: existem muitos mares.

Sob uma analise negativista eu diria que implicito ou descaradamente escrachado na minha resposta esta a minha boredon com a vida. O nao-acreditar. De outra forma negativista, a falta de ambição.

Pensando melhor, e nao sei bem o que vou escrever agora, sob uma analise positivista, eu diria que valorizo o que tenho ao alcance e sonho suas nuances, suas variações desconhecidas, que ja se constituem misterio e materia de sonho. 

a proxima postagem sera sobre concentração vertical..