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estou em suspenso. um araki virtual veio aqui e me pendurou no teto pelas pernas e bracos. nao e completamente desconfortavel. ate gosto de um desconforto pq me sinto obrigada a tomar uma atitude mais definitiva. enfim, to pendurada pelas maos que nao sao minhas. pensando em como me movimentar a partir dessa posicao. da, mas tem que tomar cuidado pra nao bater com a cara na parede ao lado, mas descer fluidamente, como dum tecido, suave e risonho.
estou pendurada no teto, entre alguns leoes. eles rodeiam minha cabe'ca. duvida insoluvel.
o corpo preso ao teto, quase que como deitado na cama, aconchegado na posicao flutuante que mira o chao despenca.
hoje a ferida ainda esta aberta. como se andasse pelas ruas com ferida exposta, zebra de barney com couro arrancado. caminho, solto pos respingos, e os olhares doloridos vezes cicatrizam vezes limpam a ferida.
a cicatriz ainda doi mole e dura. ja consigo olhar-me ao espelho e as manchas defronte aos olhos se dissipam um pouco. a leveza carrega consigo um punhado de terra que pretende depositar em uma nova paisagem. a terra 'e fertil e poderosa, mas perigosamente num vacilo pode ser derramada aos ares, pois, materia de sonho, 'e capaz de esvair-se como po, pelo ar. por isso as maos em conchas doem ao lembrar de coisas belas assim como ao deseja-las. coisas belas doem fundo, duma dor deliciosa, morbida, carne ensanguentada que os cantos felizes das bocas famintas deixam entrever.
os pes aos poucos tateiam o chao. nao se sabe se tem forca o suficiente para manter o corpo que pesa toneladas. dedos de pes vao e vem tentando compreender que pisada e essa que vai dar estabilidade ao corpo-balao. imagem de um alfinete de cabeca se mistura a esses devaneios. estamos fazendo novas vidas.
uma vida 'e peca unica do acervo da artista que vive.
se o corpo 'e uno merece ser afagado como gatinho. como afagar plastico? como beijar um tubo? boneca boneco..
OUTRAS COISAS CHAMAM A ATENCAO DO OLHAR DEPOSITADO POR TEMPOS NO BREU. abaixo do chao de vidro em que desfalece o corpo da boneca, o fundo do mar. visisbilidade media, cor azul aul profundo, os bracos e pernas passam, cardumes pequeninos passar. o terror do afogamento vem e vai. mar caudaloso, gordo, cheio de potencia. as ondas sao baixas mas cheias, levam o corpo indefeso da boneca pra la e pra ca. prazer e horror. todo o corpo molhado corresponde ao que a imaginacao conta. nada mais veloz para sentir seus bracos de boneca. e sente. pernas abanam e se esbarram vez por outra. calafrio. o horizonte e laranja, um poste de luz gigante e visto ao longe, e ageis corpinhos de miniaturas surfam as pequenas ondas sob o corpinho estendido da boneca. ela deseja chegar ate eles, comunicar-se, proteger-se, mas esta so. e contanta-se com a caudalosidade aterradora e aterrorizante das aguas infindas que embalam seu pensar como colo de mae. deseja pertencer a este espaco, mas nao, tudo o que tem sao olhos vidrados num chao tambem este de vidro, fragil, que sugere e ameaca sua quebra constantemente.
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